sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Migração Japonesa

Em 1925, quando Manuel Bandeira escreveu o poema Não SeiDan-1 çar, do qual reproduzimos a estrofe acima, não se haviam passado nem duas décadas do desembarque dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil, a bordo do navio Kasato Maru, para trabalhar nas lavouras cafeeiras de São Paulo. Aos pioneiros, seguiram-se milhares de compatriotas nos anos seguintes. Nas cidades, os japoneses ainda eram poucos e desapareciam diante do número muito superior de imigrantes europeus, sobretudo italianos. Mas a literatura - sensível às novidades -já antecipava o contato com personagens japoneses, dentro do projeto modernista de assumir a diversidade étnica brasileira e va¬lorizar as culturas que formavam o país. Mário de Andrade, em Amar, Verbo Intransitivo (1927), insere o personagem Tanaka, criado japonês de uma família burguesa em Higíenópolis; e Oswald de Andrade traça, em Marco Zero - Chão, o panorama da sociedade paulista nos anos 1930, com o êxodo rural, o desen¬volvimento urbano e a trajetória dos imigrantes, na qual ao japonês é atribuída uma visão estratégica na ocupação da terra.
Se na época de nossos modernistas a imigração nipôiiica ainda era incipiente, chegamos agora ao centenário dela com uma presença consolidada da comunidade japonesa em nosso país. Nesta reportagem, queremos chamar atenção, sobretudo, para o fato de que a migração de japoneses para o Brasil, e, nos últimos anos, de seus descendentes para o Japão, se insere ple¬namente nos grandes fluxos das migrações globais. Mas, se a migração significa quase sempre desafios e sacrifícios, o que move as pessoas a deixar a terra natal?
Mais do que guerras e catástrofes am¬bientais, o principal motivo para as migra¬ções populacionais - sejam do campo para a cidade, ou até para outros países - é abusca por melhores condições de vida. Da segunda metade do século XIX até o início do século XX, países da Europa - que hoje são ricos e figuram entre os destinos procurados por milhares de emigrantes brasileiros - não ofereciam boas perspectivas de vida para muitos de seus habitantes. Na época, a ex¬plosão demográfica, decorrente do aumento da taxa de natalidade e da expectativa de vida, associada às dificuldades causadas pelo avanço da industrialização, como a
concentração da renda e a substituição do trabalho artesanal, levou italianos, alemães, ingleses, espanhóis e outros povos a cruzar o Atlântico em busca de oportunidades. A iniciativa era incentivada por seus próprios governos, que estabeleciam as negociações com países do continente americano e as companhias de migração.
Japão em crise
Dominado pelos xóguns (chefe militar e político) da família Tokugawa durante 265 anos, o Japão manteve-se isolado até me¬ados do século XIX. A pressão ocidental pela abertura dos portos cresce a ponto de navios norte-americanos apontarem seus canhões em direção à baía de Edo (atual Tóquio), em 1854, levando o governo a iniciar gestões para a abertura do país ao comércio mundial. A crise que se segue leva ao fim do xogunato e dá início à Res¬tauração Meiji (1868-1912).
O país transformava-se com a moder¬nização económica que encerrou o modo de produção feudal. As medidas adotadas visavam a colocar o Japão no patamar das nações ocidentais industrializadas, que nessa ocasião acirravam a disputa por colônias na Ásia e na África. Houve melhoria nas condições de saúde da população, com a redução dos índices de mortalidade, e foi universalizado o acesso à educação básica. No entanto, o novo sistema também causou a concentração da renda e daposse da terra, deixando à margem do processo produtivo grande parte da população camponesa.
Essa crise estrutural foi aprofundada por uma medida legislativa que incluiu no novo Código Civil a primogenitura - sistema de herança que destina todos os bens da família ao primogénito (filho mais velho), obri¬gando os irmãos a buscar outras formas de sustento. Muitos trocaram o campo pelas cidades, que, subitamente inchadas, não conseguiam acolhê-los. A emigração em massa surgia como uma alternativa, com o aval do governo japonês. Premidos pelas di¬ficuldades eestimulados pela propaganda de companhias de migração aserviço de países com falta de mão-de-obra, muitos japoneses tomaram a difícil decisão de emigrar.
Para a maior parte deles, os Estados Uni¬dos apareciam como o destino preferencial. Calcula-se que 160 mil japoneses tenham entrado nos EUA entre 1908 e 1924 (quando o país proibiu a imigração nipônica).

Falta de mão-de-obra

Ao mesmo tempo em que as nações eu¬ropeias desenvolvidas conviviam com a explosão demográfica e o excesso de mão-de-obra, na segunda metade do século XIX, as nações do continente americano queriam atrair imigrantes para qualificar sua for¬ça de trabalho no contexto de um projeto nacional. A ideia do europeu corno agente da modernidade e da civilização esteve no centro da decisão do Brasil de incentivar a imigração desde o início do período impe¬rial, a partir da independência, em 1822.
Do território alemão foram trazidos, em 1824, os colonos que fundaram São Leo¬poldo, no Rio Grande do Sul. Nas décadas seguintes, outras colónias alemãs se insta¬laram no estado e em Santa Catarina. Os primeiros lotes foram doados pelo governo imperial, mas esse modelo mudou após a promulgação da Lei de Terras (1850), e os colonos passaram a comprar os lotes.
A partir da década de 1870, teve início a imigração italiana, que se dividiu entre o Sul e o Sudeste. O grande fluxo dirigiu-se às fazendas de café paulistas, enquanto uma parte optou pelas colónias rurais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Com os
alemães, esses italianos foram responsáveis pelo desenvolvimento de uma economia regional diferenciada, baseada na pequena propriedade familiar.
A imigração para o Sudeste teve como objetivo primordial suprir a carência de mão-de-obra nas lavouras de café após a proibição do tráfico negreiro, em 1850 (Lei Eusébio de Queirós). O Sudeste se bene¬ficiava do comércio interno dos escravos disponíveis, em razão da decadência das culturas de cana-de-açúcar e algodão no Nordeste, rnas isso não bastava para atender à demanda, e, embreve, eles estariam livres. Em 1888, acaba a escravidão. Como café em expansão, o governo paulista e a elite cafei¬cultora investiram no projeto imigrantista, criando, em 1886, a Sociedade Promotora da Imigração, que subsidiava passagens, garantia alojamentos e colocava os imigran¬tes nas fazendas. Em nove anos, a entidade trouxe 270 mil imigrantes, a maior parte da Itália. A seguir, esse papel foi assumido pela Secretaria de Agricultura.

Kasato Maru

Marco da imigração japonesa, achegada do Kasato Maru no porto de Santos, em 18 de junho de 1908, com 781 imigrantes, deu continuidade ao esforço brasileiro de atrair mão-de-obra estrangeira para a cultura ca-feeira. Nos 40 anos anteriores, o país havia recebido 2,3 milhões de imigrantes europeus - sobretudo italianos, espanhóis, alemães, russos e, como desde a época colonial, por¬tugueses. Parte considerável jáhavia trocado as fazendas pelas cidades, onde se iniciava o processo de industrialização, e faltavam braços na lavoura. As negociações para a vinda de japoneses tinham sido iniciadas anos antes, com a assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão, em 1895. Representando o governo japonês, Ryu Mizuno, presidente da Companhia Imperial de Imigração, havia firmado, em 1907, o acordo de imigração com o governo de São Paulo, após visitar algumas fazendas e observar as condições de trabalho.
O confronto entre a propaganda das companhias de migração, que prometia enriquecimento fácil, e a dura realidade nos trópicos não tardou. Da produtividade dos cafezais às condições de alojamento em antigas senzalas, nada correspondia às expectativas dos recém-chegados. O que os imigrantes recebiam pelo árduo trabalho era insuficiente para ressarcir o gasto com as passagens e a conta do armazémda fazenda, nos quais compravam comida e itens básicos de sobrevivência. Na ausência de perspectivas, muitas famílias fugiam. Em meados de 1909, apenas 191 imigrantes permaneciam nas propriedades para as quais haviam sido levados. Muitos haviam ido para outras fazendas, para cidades e até para países vizinhos, como a Argentina.
Mas a onda imigratória não foi interrom¬pida, pois atendia aos interesses dos dois países. O sistema de alocação de imigrantes como mao-de-obra assalariada nas fazendas de café conviveu com outros contratos de imigração, como o sistema de parceria e a criação de colónias de pequenos proprie¬tários agrícolas. Para esse fim, terras do Estado e do governo federal ou grandes áreas compradas por empresas de imigra-
ção foram colocadas à venda em pequenos lotes aos imigrantes logo depois da chegada ou aos que já haviam cumprido seus contra¬tos iniciais. Em 1911, é criada pelo governo federal a Colónia Monções, perto da estação Cerqueira César da linha férrea Sorocabana. Nesse empreendimento, registram-se os primeiros lotes de terra adquiridos por famílias japonesas. Em 1912, em Iguape, são assentadas 30 famílias japonesas em terras doadas pelo governo paulista, nas quais se desenvolveu a plantação de banana e chá. Em direção ao interior paulista, a instalação das colónias japonesas seguiu o traçado das estradas de ferro Noroeste do Brasil, Mogiana e Sorocabana.
A presença nipônica alcançou tam¬bém Mato Grosso do Sul e o norte do Paraná, onde, no fim da década de 1920, foram instalados núcleos colonizadores pela Companhia de Terras do Norte do Paraná, de capital inglês. A venda de pe¬quenos lotes a trabalhadores imigrantes de diversas nacionalidades deu origem a cidades como Arapongas e Londrina, que ganhou destaque com o filme Gaijin 2, da cineasta Tizuka Yamazaki, no qual conta a história de seus antepassados.

Educação e vida comunitária

O crescimento da imigração japonesa, que em 1914 já representava em torno de 10 mil pessoas, foi acompanhado da implantação de escolas e centros comunitários nos quais a língua e as tradições nipônicas eram viven-ciadas. Os planos de retornar ao Japão, mesmo adiados diante das dificuldades, foram mantidos por grande parte dos primeiros imigrantes. Em razão disso, valorizavam, o aprendizado da língua e da cultura natais e preparavam os filhos para o retorno à pátria. Em 1915 é fundada em São Paulo a primeira escola japonesa no Brasil. Foram criados nessa época os primeiros jornais em língua japonesa. Sua circulação contínua entre membros da comunidade japonesa no Brasil evidencia o crescimento da colónia e seu grau de acesso à leitura
Mas também havia imigrantes dispostos a fincar raízes no Brasil, contando para isso com a formação escolar. Em 1918 foram diplomadas as duas primeiras professoras saídas da comunidade, as irmãs Kumabe, pela Escola Normal do Rio de Janeiro. Em 1923, na Escola de Odontologia de Pindamonhangaba, formou-se o primeiro dentista de origem japonesa.
Período Vargas

Tão logo assume o poder, em 1930, Getú-lio Vargas limita a imigração para o Brasil e aprova legislação que protege o mercado de trabalho para os brasileiros, que de¬veriam ocupar dois terços das vagas em qualquer empresa. Em 1934 impõe mais uma restrição: a lei de cotas, que limitava a imigração a 2% do fluxo de entrada de cada nacionalidade nos 50 anos anteriores. A medida atingia mais duramente os povos de imigração recente, corno os japoneses.
Com a instalação do Estado Novo, em 1937, a linha nacionalista de Vargas foi aprofundada, atingindo as colónias de imigrantes: no ano seguinte são fechadas as escolas para o ensino de línguas estrangeiras e outras asso¬ciações de imigrantes. Simultaneamente, o governo lança a Campanha de Nacionaliza¬ção do Ensino Primário, dirigida às escolas de imigrantes, com o objetivo de difundir a língua e a cultura brasileiras, ao mesmo tempo em que proibia o uso público e ins¬titucional dos idiomas estrangeiros. Apartir de então, tornou-se obrigatório nas escolas de imigrantes o ensino em português e do português, assim como de conhecimentos de literatura e de história do Brasil.
A entrada formal do Brasil na II Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, intensifi¬cou a censura e a repressão política aos imigrantes, particularmente japoneses, italianos e alemães. Foi proibida a circu¬lação de jornais em língua estrangeira, instituída a censura postal e os Correios interromperam os serviços entre o Brasil e o Japão. Até o fim da guerra, esses imi¬grantes enfrentariam enormes restrições, em especial a população urbana e as co¬lónias no litoral. Muitas famílias tiveram os laços rompidos com os parentes no Japão, os bens confiscados e chegaram a ser enviadas a campos de detenção.
Nem mesmo o futebol foi poupado da repressão aos imigrantes. Agremiações mais populares da época - Corinthians e Palestra Itália - foram alvo do projeto de nacionalização, em 1942. Os dois times forarn obrigados a retirar de suas diretorias os vários membros imigrantes e passaram. a ter as reuniões acompanhadas pelo Departamento de Ordem Política e Social (Deops). O Palestra tornou-se a Sociedade Esportiva Palmeiras e teve de restringir suas cores-símbolo ao verde e branco, re¬tirando o vermelho do trio de cores que o identificava com a Itália.
A notícia do fim da guerra, em 1945, e da vitória dos Aliados foi recebida com alívio e alegria no Brasil. Com a assinatura do tratado de paz entre o Brasil e o Japão, em 1952, a imigração, que havia sido in¬terrompida por quase uma década, ganha novo impulso. Desta vez, muitos japoneses vinham para as fazendas de conterrâneos ou para radicar-se nas cidades. O fortale¬cimento da comunidade japonesa em São Paulo dinamizou as atividades culturais e esportivas, com a ampliação de espaços para a prática de ténis de mesa, futebol de salão, beisebol e outros esportes.
O último navio a trazer imigrantes japone¬ses aportou no Brasil em 1973, com 285 passageiros. Hoje, somando-se os descendentes, a comunidade japonesa no país é estimada em quase 2 milhões de pessoas.
Rumo ao mundo rico

Desde o início do século XX, o panora¬ma mundial das migrações populacionais sofreu grandes modificações. A razão pri¬mordial para os deslocamentos humanos continua a mesma: a busca por melhores condições de vida. Com essa esperança, muitos descendentes de terceira ou quarta geração de imigrantes do início do século trilham o caminho de volta para o país de seus antepassados. Mas se há um século o movimento migratório era impulsionado pela política oficial de vários países - tan¬to dos quais saíam os migrantes quanto dos que os recebiam -, hoje é movido basicamente por recursos individuais, o que leva os emigrantes a enfrentar gran¬de dificuldade para entrar e permanecer nos países desenvolvidos, atualmente os destinos mais procurados.
A questão é estrutural. Nas últimas dé¬cadas, boa parte dos países ricos - Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental, Japão e Austrália - viu uma queda em seus ín¬dices de natalidade, o envelhecimento da população e uma elevação do nível educa¬cional. Com isso, começaram a faltar tra¬balhadores para os serviços mais pesados ou mais mal remunerados, desprezados pela população nativa. Essa situação levou à migração em massa de trabalhadores de países pobres e em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina em direção aos países desenvolvidos, no que hoje compõem cerca de 60% do fluxo migra¬tório global. No imediato pós-guerra, e até o início dos anos 1980, muitos desses governos inclusive estimularam a imigra¬ção de países pobres.
No entanto, com o modelo neoliberal já implantado e a economia cada vez mais globalizada e competitiva, o desemprego co¬meçou a crescer também nas nações ricas. A população nativa passou a interessar-se pelas ocupações de baixa qualificação e de menor salário. Os imigrantes começaram, então, a ser vistos como usurpadores de seus empregos e direitos. Os governos, por sua vez, aumentaram as políticas restritivas e o controle das fronteiras, chegando a construir muros fortemente vigiados, como ocorre na fronteira entre Estados Unidos e México. Pressionados pela pobreza, milha¬res de imigrantes passaram a desafiar essas barreiras, submetendo-se muitas vezes às redes de tráfico ilegal de pessoas.
Os países desenvolvidos deixam as portas abertas, porém, para os trabalha¬dores altamente qualificados, sempre requisitados por empresas de ponta, e cuja formação -vários anos de estudo - acaba custando caro ao Estado. É a "fuga de cérebros" dos países em de¬senvolvimento, onde esses profissionais deixam de contribuir para o progresso científico e tecnológico. A contrapar¬tida importante é que muitos desses imigrantes enviam à família, no país de origem, uma parcela do que ganham com seu trabalho, aumentando os rendimen¬tos das nações mais pobres. Em 2006, as remessas de dólares de imigrantes para o país natal somaram 276 bilhões de dólares, sendo 206 bilhões para as nações em desenvolvimento, segundo estimativas do Banco Mundial.
Decasséguis, o retorno

Nesse fluxo migratório global paraos paí¬ses ricos, insere-se o fenómeno decasségui. Em meados dos anos 1980, brasileiros des¬cendentes de japoneses iniciaram ajornada de volta aterra dos ancestrais, em busca de trabalho e renda. Interessado na captação dessa mão-de-obraparaosetor industriado Japão passou a conceder vistos de trabalho com base em laços de parentesco. Ao mesmo tempo, reprimia a imigração ilegal.
Pela lei japonesa de 1990, os nisseis (filhos de imigrantes japoneses) podem permanecer três anos, e os sanseis (terceira geração) recebem visto por um ano. Até hoje, os vistos são renovados sem entraves. Mas, ao contrário de países como Itália e Portugal, cujos descendentes de emigrantes têm direito à cidadania, o Japão só os aceita como mão-de-obra, sem cidadania.
Essa condição temporária não impediu que o número de imigrantes brasileiros no Japão crescesse vertiginosamente, alcançan¬do 312.979 pessoas em 2006. Esse contingen¬te constitui a terceira maior comunidade de estrangeiros no Japão, atrás de coreanos e chineses. Em relação aos brasileiros no ex¬terior, os decasséguis representam também o terceiro maior grupo, ultrapassado apenas pelos que vivem nos EUA e no Paraguai.
Entre as razoes para a manutenção desse fluxo migratório, mesmo durante o período de recessão na economia japonesa, apartir de 1993, está a flexibilidade dessa mão-de-obra, tanto em relação aos contratos, que permitem a demissão a qualquer mo¬mento, quanto à sua mobilidade territorial (mudam-se com facilidade para onde há trabalho, ao contrário dos próprios japo¬neses). Além disso, há evidências de que os japoneses não demonstram interesse por certos trabalhos braçais ou subalternos.
Faz pouco mais de 20 anos que começou o fluxo de brasileiros ao Japão, mas já deu tempo para alguns autores os incluírem em suas obras. E o caso da escritora Natsuo Kirino, que, com Out, de 1997, ganhou o grande prémio literário j aponês na categoria misté¬rio. A protagonista da história é operária em uma fábrica na qual trabalha o decasségui brasileiro Roberto Kazuo, apresentado as¬sim: "Ele decidiu então trabalhar no Japão. Em dois anos,poderia comprar um carro e, se ficasse mais tempo, quem sabe teria dinheiro suficiente para adquirir uma casa - e ainda conheceria a terra natal de seupai".
Cronologia
1867 O último xógum Tokugawa renuncia. No ano seguinte, o imperador assume o poder e inicia a Era Meiji, de intensa modernização. 500 japoneses emigram ilegalmente para o Havaí. Três anos depois, acabam os feudos no Japão.
Í875 Início da imigração dos italianos para o Brasil (serão a maior colónia de imigrantes). Eir 1885, o Japão, pressionado pelo desemprego, assina seus primeiros acordos migratórios: 943 japoneses vão oficialmente para o Havaí.
1888 Fim da escravidão no Brasil, seguida pela proclamação da República (em 1889). A necessidade de substituir a mão-de-obra escrava será o impulso decisivo para incentivar a política oficial de atrair a imigração ao país.
1895 Inicio das relações diplomáticas entre Brasil e Japão. Em 1899, os 790 japoneses que chegam ao Peru são os primeiros na América do Sul. Em 1907, os EUA restringem a entrada de japoneses. O Canadá faz o mesmo um ano depois.
1908 Em 18 de junho, no Kasato Maru, chegam os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, para trabalhar em fazendas de café. Dois anos antes, São Paulo já tinha uma loja de produtos japoneses, as Casas Fujisaki.
1914 Os japoneses em São Paulo passam dos 10 mil. O estado pára de financiar a vinda de imigrantes. Estoura a l Guerra Mundial (até 1918} e a imigração diminui. Em 1915 e aberta em São Paulo a primeira escola japonesa.
1924 Os EUA proíbem a imigração de asiáticos. O governo japonês passa a financiar a emigração para o Brasil. A partir de então, o fluxo de imigrantes começa a crescer, somando mais de 50 mil japoneses até o fim da década.
1929 Quebra da Bolsa de Nova York, atingindo duramente a economia mundial. O preço do café despenca e coloca o Brasil em crise económica. O Japão cria um ministério para promover a emigração.
1931 Com uma política expansionista, o Japão invsde a Mancharia (nordeste da China). A vinda de japoneses para o Brasil chega ao auge em 1933, com 24.494 imigrantes. A partir daí, o país começa a restringira entrada de imigrantes.
1937 Getúlio Vargas inicia o Estado Novo. Em seguida, aumentam as restrições a imigrantes. Mais de 200 escolas japonesas são fechadas. Em 1939 começa a II Guerra Mundial. Alemanha, Itália e Japão aliam-se e formam o Eixo.
1941 Jornais em língua estrangeira, que eram comuns entre os imigrantes, são proibidos no Brasil. Os EUA entram na guerra a partir de ataque japonês. Em 1942, o Brasil corta relações com o Eixo e imigrantes sofrem perseguições.
1945 Os Estados Unidos soltam as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasakí, matando 170 mil pessoas. Poucos dias depois, o Japão se rende, e acaba a II Guerra. O território japonês fica sob ocupação militar norte-ame ri cana.
1948 Yukishigue Tamura é eleito em São Paulo: é o primeiro vereador da comunidade japonesa no Brasil. Em 1949, Brasil e Japão retomam as relações comerciais. Na Guerra da Coreia (1950 31953), tropas dos EUA se abastecem no Japão.
Í952 Os Estados Unidos encerram a ocupação militar e o Japão recupera sua independência, com uma nova Constituição (adotada em 1947). Brasil e Japão assinam um tratado de paz e, no ano seguinte, recomeça a imigração japonesa.
954 Início do crescimento económico acelerado conhecido como "milagre japonês". A colónia japonesa de São Paulo, em 19S5, elege Yukishigue Taiuura o primeiro deputado federal de ascendência oriental no Brasil.
1956 O Japão é admitido na ONU. Nos anos seguintes, estreitam-se os laços económicos entre Brasil e Japão: em 1958, os dois se associam para construir a siderúrgica Usiminas; em 1961, começam os voos diretos Brasil-Japão.
Í967 O príncipe Akihito, atual imperador, faz sua primeira visita ao Brasil. Em 1973 chega ao pais o último navio de imigrantes japoneses. Com o primeiro choque do petróleo, o preço dos combustíveis dispara no mundo todo.
Í97S Com a alta dos combustíveis, o Japão toma da Alemanha Ocidental o posto de maior exportador mundial de carros, com seus modelos compactos. Os investimentos japoneses no Brasil chegam, em 1976, a l bilhão de dólares.
1985 Os descendentes dos imigrantes começam a migrar para o Japão atrás de trabalho: são os decasséguis. Em 1989, com o boom económico japonês, o índice da Bolsa de Valores de Tóquio atinge o recorde histórico: 39 mil pontos.
1990 O Japão libera vistos de trabalho para descendentes da 1a e 2a gerações de migrantes, nisseis e sanseis. Assim, eles podem imigrar legalmente, mesmo que o visto seja temporário. Os descendentes não têm cidadania japonesa.
1997 Grave crise financeira atinge a economia asiática e, depois, a Federação Russa (1998). Em 2001, oJapão enfrenta uma recessão, mas continua a imigração de decasséguis. Em 2003, a economia japonesa começa a sair da crise.
2008 Centenário da imigração japonesa no Brasil. Após 100 anos de migração, a comunidade japonesa no Brasil chega a quase 2 milhões de pessoas. O príncipe Naruhito, sucessor do imperador, visita o Brasil.
Vocabulãrio:
MIGRANTE - Pessoa que muda de região ou país.

EMIGRANTE - Pessoa que parte de sua região ou país natal.

IMIGRANTE - Pessoa que chega, vinda de outra região ou país.

ISSEI - Japonês que imigra para as Américas.

NISSEI - Filho de imigrantes japoneses nascido nas Américas.
SANSEI - Neto de imigrantes japoneses nascido nas Américas.
YONSEI - Bisneto de imigrantes japone¬ses nascido nas Américas.
DECASSÉGUI - Pessoa que se fixa tempo¬rariamente nojapão para trabalhar.

Para saber mais adquira:
Atualidades vestibular 2009 – editora Abril

Nenhum comentário:

Postar um comentário