sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Êxodo rural

O aumento da produtividade no cam¬po, que dobrou entre 1975 e 2005, está diretamente relacionado à mecaniza¬ção das atividades agrícolas. Cada vez mais os produtores utilizam sofistica¬dos equipamentos para fazer as tarefas de plantio e colheita, antes executadas por mão de obra humana intensiva. Com isso, cai o emprego no campo, afe¬tando antigos empregados moradores das fazendas, que têm de ir embora, e mesmo os sitiantes, que não conseguem manter a rentabilidade de sua cultura ao competir com as grandes proprie¬dades. Como as cidades oferecem mais oportunidades de emprego, acabam atraindo os lavradores, que migram do setor rural para as áreas urbanas.
Esse fenômeno, conhecido como êxodo rural, não é novo na sociedade brasileira. Ele tem suas raízes na década de 1930. Naquela época, o Brasil era essencialmente agrícola e sofreu forte abalo em sua economia com a crise de 1929. Como a principal receita brasileira estava na ex¬portação de café, o país viu sua principal receita se esvair depois que os Estados Unidos, quebrados, e outros países para¬ram de importar o produto. Ao assumir a Presidência da República, em 1930, Getúlio Vargas iniciou uma série de medidas para dinamizar a economia do país e investiu na industrialização, com o objetivo de re¬duzir a dependência externa, produzindo aqui o que antes era importado. Com isso, a sociedade brasileira foi se transformando de rural e agrária para urbana e industrial. E, como o centro dinâmico da economia se transferiu do setor rural para as cidades, as áreas urbanas passaram a concentrar as melhores oportunidades de trabalho e a atrair a mão de obra do campo.
O êxodo rural se intensificou nas déca¬das seguintes, reforçado principalmente pela concentração de latifúndios nas mãos de poucos produtores. Apesar de a questão remontar às capitanias here¬ditárias, no século XVI, o problema se mantém atual. As propriedades rurais com área superior a mil hectares representam apenas 1% dos estabeleci¬mentos, mas ocupam cerca de 45% da área total com potencial agropecuário. Por outro lado, aproximadamente 49% das propriedades têm até 10 hectares e 88,8%, até 100 hectares, ocupando apenas 19,9% da área total dos estabele¬cimentos rurais. Essa estrutura fundiária favorável aos latifúndios provoca êxodo rural porque limita a disponibilidade de terras para os pequenos trabalhadores rurais. Sem oportunidades no campo, eles acabam sendo atraídos para os cen¬tros urbanos. Ao estimularem o êxodo rural, as grandes propriedades, assim como a mecanização agrícola, desenca¬deiam graves problemas sociais, com o crescimento desordenado das grandes cidades.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular – editora Abril

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