domingo, 4 de abril de 2010

Migração e Xenofobia

No final do século XIX e começo do século XX, muitos imigrantes italianos vieram para o Brasil, também em busca de uma vida melhor. Essa situação mudou. Agora é a Itália que recebe imigrantes de outras partes do mundo.
Os movimentos populacionais da globalização mudaram de direção: realizam-se de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos. A grande distância econômica que separa os dois grupos de países fez surgir esse novo tipo de migração internacional.
Além disso, os conflitos étnicos, religiosos e políticos da última década deslocaram compulsoriamente milhares de pessoas de sua pátria.
Podemos distinguir, entre os movimentos migratórios, duas categorias principais: as migrações por motivos econômicos e as migrações por motivos políticos, que compreendem os refugiados e os perseguidos políticos.

Migrações por motivos econômicos

Os Estados Unidos e os países da União Européia são os "paraísos" mais procurados pêlos imigrantes da globalização. Para a União Européia convergem populações da Europa oriental, do Norte da África e, principalmente, da Ásia, sendo a Turquia a maior fornecedora de imigrantes para a Europa ocidental.
Como esses países possuem severas leis que regulamentam a imigração, suas fronteiras são fortemente vigiadas e, muitas vezes, acontecem confrontos entre policiais e imigrantes ilegais. Duas importantes fronteiras geopolíticas destacam-se no mundo atual: a fronteira México - Estados Unidos e as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, na costa do Marrocos.
A fronteira entre México e EUA é um constante foco de tensão entre os dois países, em virtude do grande número de pessoas procedentes de vários países latino-americanos que procuram entrar nos Estados Unidos clandestinamente.
Os Estados Unidos construíram uma cerca severamente monitorada por policiais na fronteira com o México. Os 3 200 km de fronteira sempre foram um foco de tensão entre os dois países. A Espanha já cogitou fazer algo semelhante em Ceuta.
O movimento de população já foi mais intenso entre os países da União Européia. Entretanto os benefícios concedidos a países membros de economia mais fraca têm ajudado a diminuir os movimentos no interior dessa comunidade.

HISPÂNICOS NOS EUA

Em 1990, os Estados Unidos tinham 148.709.873 habitantes, dós quais 9% eram hispânicos. Hoje, o percentual é de 12,5%.
O aumento expressivo da população hispânica dos Estados Unidos, nos últimos anos, não significa essa contingente esteja integrado na sociedade americana. Uma prova disso é que não são considerados brancos no censo demográfico, Os "não-brancos" de origem hispânica, ou melhor, da América Latina, vivem segregados, formando "colônias", conforme as nacionalidades, nas maiores cidades do país. Mexicanos, cubanos, colombianos, porto-riquenhos e outros nativos de vários países da América Central são todos hispânicos para o censo americano.
Entretanto, cada um tem seu perfil definido pela polícia americana: os colombianos são acusados dê tráfico de drogas e quase todos os outros, juntamente com os negros, são tidos como suspeitos de crimes.
Problemas da imigração
Os imigrantes que conseguem entrar nos países mais ricos enfrentam inúmeros problemas. Geralmente em condições ilegais, fazem trabalhos que os habitantes locais não se dignam a fazer.
A imigração ilegal ocasiona outro grave problema: o tráfico de imigrantes. Esse é um negócio lucrativo e que está crescendo cada vez mais. A prática é comum em países da América Latina, inclusive no Brasil. No entanto é mais ativa no Leste europeu e no Norte da África, onde há um grande número de pessoas que pretendem ingressar na União Européia.
O imigrante enfrenta, ainda, a intolerância, o racismo e a discriminação.

A xenofobia e a intolerância

O ódio ao estrangeiro, ou xenofobia, e o racismo crescem rapidamente no mundo globalizado. A concorrência no mercado de trabalho tem sido a principal causa da discriminação de imigrantes nos países ricos. Mas não é a única.
Grupos extremistas unem a xenofobia à intolerância contra as minorias (negros e homossexuais) e praticam atos de extrema violência. É o caso dos skinheads, organização neonazista que age sobretudo na Alemanha.

Fuga de cérebros

Os países desenvolvidos disputam os melhores cientistas e pesquisadores para suas áreas de tecnologia de ponta. O Brasil, embora subdesenvolvido, conta :om bons profissionais e instituições para o desenvolvimento de novas tecnologias, na área da agricultura, da saúde, da informática, etc. Outros países, como índia, Argentina e Chile, estão na mesma situação.
Muitos desses profissionais são cobiçados por países ricos e tentados por ofertas compensadoras de salário. Outros buscam apenas um maior aperfeiçoamento para, mais tarde, retornar ao seu país de origem.
As baixas taxas de natalidade e as aposentadorias tornam os países da União Européia os maiores candidatos a precisar importar "cérebros", nos próximos anos. O Brasil conta com um conceituado número de cientistas e pode sofrer baixas em suas equipes de pesquisas.
Alguns países da União Européia (Alemanha, França e Reino Unido) têm adaptado suas legislações imigratórias, que ficam mais flexíveis para receber "cérebros" de países subdesenvolvidos, principalmente da índia, da Colômbia, da Argentina e do Brasil.

Migrações por motivos políticos e religiosos

Como vimos, além da procura por trabalho, conflitos étnicos e religiosos também são motivo de mudança de populações.

Refugiados

Atualmente, grande parte dos imigrantes pertence a um grupo especial: são os refugiados - pessoas que fogem de guerras ou de perseguições em sua pátria.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, em português, e UNHCR, em inglês) define como refugiados "pessoas que saem de seu país de origem (podendo ou não regressar) porque correm o risco de ser mortas por perseguições religiosas, políticas e raciais". O Alto Comissariado foi criado em 1951 para tentar solucionar essa situação, que é uma das grandes tragédias da atualidade. O ACNUR calcula que, em cada 280 pessoas no mundo, uma seja refugiada.
O Alto Comissariado realiza as seguintes tarefas:
- Providencia asilo a refugiados que não querem voltar ao seu país de origem.
- Ajuda os refugiados que preferem retornar ao seu país, depois que a situação se acalma.
- Consegue recolocação para refugiados que não podem regressar ao seu país de origem.
- Presta auxílio a pessoas que sofrem perseguições em seu próprio país, mas não podem fugir (IDPs, sigla do inglês Internally Displaced Persons Instruments).

Os IDPs

São pessoas que sofrem perseguições dentro do seu próprio país, sem poder contar com a proteção do governo. São o grupo de imigrantes que mais cresce no mundo, Esses casos são comuns na Bósnia - Herzegovina, no Sri Lanka, no Azerbaijão, em Serra Leoa, na Rússia e no Afeganistão. Nesse país, o movimento de refugiados aumentou consideravelmente após os ataques dos Estados Unidos, em resposta ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

Movimento de populações nos continentes

África, Refugiados das guerras civis procuram áreas mais estáveis e menos pobres. Nigéria e Camarões têm sido muito procurados.
Ásia. Japão, Israel, países produtores de petróleo e tigres asiáticos são os que recebem mais imigrantes do continente. No exterior, os três destinos preferidos dos asiáticos são:
- Austrália (23,6%), Canadá (31,4%) e Estados Unidos (25,2%).
- Europa. O Eldorado do continente é a União Européia (Europa ocidental), que recebe imigrantes da Ásia, África, América e de outras partes da Europa. A Albânia, o país mais pobre do continente, já teve sérios problemas com a Itália por causa de imigração ilegal.
- América do Norte. Recebe, principalmente, imigrantes da América Latina e da Ásia.

Movimentos Migratórios

Para complementar o estudo sobre população é necessário conhecer os movimentos migratórios, suas causas, suas características e conseqüências.
Inicialmente vamos lembrar de alguns conceitos.

Migração – é todo movimento de população que ocorre no espaço geográfico.
Migrante é aquele que realiza o movimento de migração.

Emigração – refere-se ao ato da saída de uma região.

Imigração – refere-se ao ato da entrada em uma região.

Os deslocamentos populacionais apresentam uma série de causas que poderíamos demonstrar dessa maneira:

*Causas de repulsão – explicam a saída da população – ocorrem nas áreas de emigração

*Causas de atração – explicam a entrada da população – ocorrem nas áreas de imigração

Essas causas podem ser:

*Naturais – como a desertificação de um local, secas prolongadas, inundações, terremotos... No Brasil podemos lembrar as secas prolongadas que ocorrem no Sertão.

*Políticas/religiosas –incluindo guerras civis, revoluções, perseguições religiosas, conflitos separatistas, discriminação com violência (racismo)...

*Econômicas – são as de maior importância no caso das migrações internas no Brasil. Inclui a decadência econômica de uma região e o crescimento de outra.

Podemos observar que a maior parte dos migrantes se desloca a procura de um emprego, de melhores níveis salariais e de um melhor padrão de vida.
Fogem também de áreas em conflito, de perseguições étnicas e religiosas.
Existe um organismo que se preocupa internacionalmente com a questão dos refugiados. Trata-se do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

Migrações Internacionais

Observamos que nos movimentos migratórios internacionais as principais áreas de atração são a América Anglo-saxônica e a Europa Ocidental. As principais áreas de saída são a América Latina, África e Sul e Sudeste da Ásia.
A globalização da economia mundial tem acentuado as diferenças regionais e sócio-econômicas. Esse fato, associado aos conflitos presentes em algumas partes do mundo, à péssima qualidade de vida e falta de perspectivas em alguns países tem acentuado o deslocamento de migrantes, especialmente do Terceiro para o Primeiro Mundo.
Os Estados Unidos recebem imigrantes provenientes da América Latina (região do Caribe, México, América do Sul...), do leste, sul e sudeste da Ásia e do norte da África. A Europa Ocidental tem recebido migrantes da África ao sul do Saara, do norte desse continente, da América Latina e do sul, sudeste e leste da Ásia, além de um crescimento nas migrações do leste europeu a partir das reformas que colocaram fim ao socialismo nos países da Europa Oriental.
A maior parte desses migrantes constitui mão-de-obra sem qualificação e que vai ocupar no mercado de trabalho das regiões receptoras postos até mesmo desprezados pela população local, ainda que esta, paradoxalmente, reclame da concorrência da mão-de-obra imigrante. Muitos desses migrantes assumem contratos temporários de trabalho, permanecendo nos países receptores por dois ou três anos. Sujeitam-se à jornadas de trabalho prolongadas, privações no dia-a-dia, com o objetivo de guardarem o máximo do que recebem para enviar esse dinheiro para os países de origem. A idéia é conseguir melhorar o próprio padrão de vida quando retornarem ao país do qual saíram.
Parte desses migrantes são ilegais. Não tem permissão para entrada e permanência. Sua situação irregular faz com que aceitem péssimas condições de trabalho e salários de exploração, além de não terem acesso à saúde pública e a reclamações trabalhistas porque, afinal, estão irregularmente estabelecidos. Isso não ocorre somente na Europa ou nos EUA. Aqui, no Brasil, temos como exemplo os imigrantes bolivianos, ilegais, explorados em longas jornadas de trabalho com baixos salários em oficinas de confecção na cidade de São Paulo.
Podemos também lembrar da discriminação, perseguição e até assassinatos de estrangeiros em países europeus, envolvendo grupos minoritários de postura muito radical e ideologias totalitárias, configurando a chamada Xenofobia.

Migrações no Brasil

Historicamente observamos muitos movimentos migratórios no Brasil,muitos deles vinculados a ciclos econômicos. Podemos citar:

*Séculos XVI e XVII – deslocamento de pessoas do litoral para o interior do Nordeste acompanhando a expansão da pecuária (através do Vale do São Francisco);
*Século XVIII – deslocamento de paulistas e nordestinos para Minas Gerais,
Goiás e Mato Grosso atraídos pela descoberta de ouro e pedras preciosas;
*1870-1910 – deslocamento de nordestinos para a Amazônia (especialmente
para o Acre, durante o ciclo da borracha;
*final do século XIX-início do século XX – nordestinos para São Paulo, atraídos pela cafeicultura;
*década de 1940 – nordestinos para oeste paulista e norte do Paraná, atraídos pela expansão da cultura do algodão;
*década de 1950 – nordestinos para Goiás, atraídos pela oferta de empregos na construção civil durante a construção de Brasília;
*décadas de 1960/70 – nordestinos para a Amazônia, devido aos projetos de colonização agrícola e de mineração, além da abertura de rodovias como a Transamazônica.

Observamos que historicamente a principal região de emigração no Brasil tem sido o Nordeste. Isso não se deve exclusivamente às secas, mesmo porque devemos lembrar que não é só o sertanejo que deixa sua região. A falta de empregos, de infraestrutura, a concentração de terras e o baixo padrão de vida são os fatores principais para a saída dos nordestinos de sua região. A seca é um agravante para aqueles que moram nas áreas afetadas por esse fenômeno climático.

Além desses movimentos importantes ao longo da história do Brasil precisamos lembrar de alguns movimentos específicos e muito importantes para o seu vestibular:

*êxodo rural – envolve o deslocamento do campo (área de emigração) para a cidade (área de imigração). Ocorre desde a década de 1940, com maior intensidade nos anos 60 e 70. Posteriormente diminui de intensidade, mas ainda é um dos mais importantes movimentos no Brasil. A população sai do campo devido à falta de empregos, baixos níveis salariais, concentração de terras nas mãos de poucos proprietários, modernização agrícola, falta de infraestrutura na zona rural. Segue para as cidades atraídos pela maior oferta de empregos (economia mais dinâmica nas áreas urbanas), salários mais elevados, melhor infraestrutura. São atraídos pela idéia equivocada de maior facilidade para o enriquecimento, a eterna perseguição do eldorado nas metrópoles. Mas constituem uma mão-de-obra sem qualificação que vai enfrentar uma dura realidade nas cidades, como a feroz competição pelo mercado de trabalho. As expectativas são frustradas logo no início e boa parte desses migrantes vai engrossar as estatísticas dos excluídos sociais das favelas, cortiços e loteamentos irregulares.

*transumância – movimento temporário em que, terminada a causa que motivou a saída do migrante, ele retorna ao local de origem. Geralmente acompanha a alternância das estações climáticas sendo, assim, um movimento sazonal. Como exemplo podemos lembrar do sertanejo que, durante a época das secas, deixa o Sertão e se dirige para a Zona da Mata, voltando para sua pequena propriedade no Sertão quando volta a chover nessa área, retomando suas atividades de subsistência.

*migrações pendulares diárias – são comuns nas grandes regiões metropolitanas. Trata-se de um movimento de ida e volta durante um dia.
Envolve especialmente o deslocamento de casa para o trabalho e a volta para a casa. Milhões de brasileiros executam esse movimento diariamente.

*migrações inter-regionais – envolvem o deslocamento de uma região brasileira para outra. É tradicional o deslocamento de nordestinos para o Sudeste (atraídos pelo mercado de trabalho, pela industrialização e construção civil, além do melhor padrão de vida nas metrópoles do Sudeste). Precisamos também ressaltar o deslocamento de sulistas para o Centro-Oeste e Amazônia acompanhando a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras. Na década de 1990 esses movimentos inter-regionais diminuem de intensidade. A saturação das metrópoles do Sudeste tem provocado até um retorno dos nordestinos à sua região.

*migrações intra-regionais – são aqueles que ocorrem entre os estados de uma mesma região. Os movimentos de curta distância apresentaram uma intensificação nos anos 90. Destacam-se como centros de atração mais recentes os estados de Tocantins, Goiás, Amapá e Maranhão. Observamos também um menor crescimento populacional nas metrópoles de várias regiões metropolitanas e um maior crescimento nos municípios periféricos a essas capitais, até mesmo fora das regiões metropolitanas. Os municípios de porte
médio têm obtido um crescimento mais expressivo.

URBANIZAÇÃO

Compreende o aumento da população urbana e a própria expansão da mancha urbana. Esse processo tem ocorrido há algumas décadas no Brasil, sendo as suas causas o êxodo rural, o processo de industrialização do país (mudando o eixo econômico para as cidades) e o próprio crescimento vegetativo nas áreas urbanas, ainda que a taxa de natalidade seja menor na cidade em comparação ao campo.
A urbanização no Brasil tem se mostrado intensa, rápida e desordenada, trazendo uma série de conseqüências negativas, especialmente nas grandes regiões metropolitanas:

*saturação da infraestrutura urbana – faltam escolas, creches, postos de saúde, hospitais, saneamento básico, rede de água tratada, asfalto e iluminação públicas, além do transporte coletivo urbano. Observa-se que a infraestrutura, apesar de existente e complexa, não consegue atender uma população muito grande e crescente. A expansão dessa infraestrutura não acompanha o ritmo de crescimento populacional;

*crescimento de favelas, cortiços e loteamentos irregulares – a falta de habitações, a especulação imobiliária e o baixo nível de renda dos habitantes, empurra parte considerável dos moradores nas regiões metropolitanas para habitações precárias. As favelas são encontradas tanto em áreas centrais como periféricas nas grandes cidades, os cortiços em áreas centrais, em antigos casarões ou prédios semi-abandonados, e os loteamentos irregulares em áreas desvalorizadas, muitas vezes com riscos de enchentes ou de desmoronamentos de encostas. Localizam-se em áreas periféricas, por vezes em áreas de mananciais, ao redor de represas, contribuindo para graves problemas ambientais urbanos;

*aumento do desemprego e subemprego – ocorrem porque o próprio mercado de trabalho nessas áreas urbanas está saturado. O subemprego pertence à economia informal, atividades que não tem registro, funcionam fora do controle tributário do Estado (não pagam impostos) e não oferecem os direitos trabalhistas (um vendedor ambulante não tem a garantia de férias e descanso semanal remunerado, ou décimo terceiro salário, aposentadoria...);

*aumento dos índices de criminalidade urbana – evidentemente as causas desse problema são complexas e as formas de atuação para sua diminuição também. Os itens relacionados acima contribuem para a ocorrência desse problema (atenção: não estamos dizendo que o morador de favela está propenso à criminalidade – não generalize, não reforce estereótipos falsos – apenas devemos lembrar que a forma de ocupação do solo urbano em favelas, cortiços, favorece a instalação de grupos pertencentes ao crime organizado).
Muitos fatores que levam à criminalidade são sociais como o baixo nível de renda, um Estado pouco atuante na área de atendimento social, a falta de empregos, de lazer, de uma qualidade de vida minimamente decente.
*agravamento dos problemas ambientais urbanos – estamos incluindo nesse item o desmatamento excessivo, a erosão do solo urbano, o assoreamento dos rios, a contaminação desses rios e represas com esgotos ou lixo depositado em locais inadequados (a falta de tratamento do lixo produzido na área urbana já constitui um problema ambiental), a poluição atmosférica que vai provocar as chuvas ácidas, o fenômeno da ilha de calor, os problemas de saúde durante uma inversão térmica, e as poluições sonora, visual e eletromagnética.

Verifique a tabela com a taxa de urbanização
nas regiões brasileiras - %
(fonte: IBGE)

Regiões Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Regiões .......1980 1991 2000
Norte .......50,32 59,05 69,83
Nordeste .......50,46 60,65 69,04
Sudeste .......82,81 88,02 90,52
Sul .......62,41 74,12 80,94
Centro-Oeste....70,84 81,28 86,73
Brasil..........67,59 75,59 81,23

Imigração

Atualmente o número de imigrantes que entram no Brasil e fixam moradia aqui é reduzido, compensado e até ultrapassado pelo número de brasileiros que se deslocam para trabalhar e/ou morar em outros países. Mas o Brasil já foi um importante país imigratório, principalmente no período entre 1850 e 1934.
Nesse período podemos identificar uma série de acontecimentos que contribuem para essa entrada de imigrantes no Brasil:

-leis que restringiram e eliminaram a escravidão no Brasil:
*Eusébio de Queirós – 1850 – proibição ao tráfico de escravos *Ventre Livre – 1871 – liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da data de sua promulgação
*Sexagenários – 1885 – liberta os escravos com mais de 60 anos
*Áurea – 1888 – libertação dos escravos

-crescimento da cafeicultura, necessitando de mais mão-de-obra

-crises econômicas e políticas na Europa, estimulando a saída de sua população

A partir de 1934, com a Lei de quotas restringindo a entrada dos imigrantes, com a crise na cafeicultura e, mais tarde, a Segunda Guerra Mundial e a recuperação econômica na Europa, diminui a entrada de imigrantes no Brasil. Nas últimas décadas temos recebido principalmente sul- americanos, africanos e asiáticos. Observe os principais grupos de imigrantes que vieram para o Brasil:

*portugueses – em grande número se distribuíram por várias regiões do país, especialmente no Sul e Sudeste, em atividades urbanas (comércio e indústria). Vale lembrar também dos portugueses na Campanha Gaúcha desenvolvendo a pecuária extensiva nas estâncias;

*italianos – destacaram-se na Região Sul (Vale do Tubarão, no sul de SC, e Serras Gaúchas – Caxias do Sul, Garibaldi, Farroupilha, Flores da Cunha, Bento Gonçalves) com a produção de uva e vinho, e principalmente em São Paulo, como mão-de-obra assalariada na cultura de café no oeste paulista e na capital e região do ABC no setor industrial;

*espanhóis – entram no Brasil principalmente no século XX, concentrando-se nas Regiões Sudeste e Sul em atividades do comércio e indústria;

*alemães – entram em pequeno número no Espírito Santo e São Paulo e em maior número na Região Sul (Joinvile, Vale do Itajaí, Serras Gaúchas e proximidades de Porto Alegre). Desenvolvem atividades de policulturas e criação em pequenas e médias propriedades e pequenas produções industriais caseiras;

*japoneses – sua primeira entrada no Brasil ocorre em 1908 e concentram-
se principalmente no período entre 1920 e 1934. Dirigem-se para a Amazônia iniciando os cultivos de juta e pimenta-do-reino, para o oeste paulista (Marília, Bastos e Tupã) com atividades ligadas à granjas, algodão e sericicultura, para o Vale do Ribeira (chá e banana), para o Vale do Paraíba (arroz e hortifrutigranjeiros) e arredores da capital paulista (o chamado cinturão verde com a produção de hortifrutigranjeiros).

Além desse grupos podemos mencionar a entrada de imigrantes eslavos (principalmente no Paraná), sírios, libaneses, turcos, judeus, asiáticos do extremo oriente, e reduzidas presenças de franceses, holandeses e até norte-americanos.

Teorias Demográficas

Todos os seres vivos aumentam de tamanho desde o seu nascimento até atingirem as dimensões máximas características de cada espécie, que dependem igualmente das condições ambientais. É a esse processo de aumento natural de tamanho que se chama crescimento individual.
Em ecologia chama-se crescimento populacional ao aumento do número de indivíduos de uma espécie que vivem em determinado habitat. Este processo é estudado pela dinâmica das populações.
Nossa população está em explosão demográfica desde a revolução industrial que começou na Inglaterra no século XVII por volta de 1650. Veja como é essa progressão geométrica:
1 a 2 bilhões de pessoas entre 1850 a 1925 – 75 anos se passaram.
2 a 3 bilhões de pessoas entre 1925 a 1962 – 37 anos se passaram.
3 a 4 bilhões de pessoas entre 1962 a 1975 – 13 anos se passaram.
4 a 5 bilhões de pessoas entre 1975 a 1985 – 10 anos se passaram.
5 a 6 bilhões de pessoas entre 1985 a 1993 – 8 anos se pasaram.
6 a 7 bilhões de pessoas entre 1993 a 1999 – 6 anos se passaram.
A projeção indica que a população humana estará crescendo de 1 bilhão de pessoas a mais por ano (1.000.000.000/ano ) neste planeta ainda nesta década. 2000 a 2010 !
É necessário rever as políticas de controle da natalidade em todos os países do mundo. Não é justo deixar a população humana sem controle algum na natalidade e prosseguir na explosão demográfica até a extinção Malthusiana, a morte por fome e destruição total do ambiente, com o aquecimento global e guerras entre os povos tentando sobreviver até às custas do canibalismo.
É necessário desvincular o controle da natalidade humana de conceitos extritamente religiosos e passar a proceder nessa realidade de forma mais científica, médica, ecológica e racional. Senão as conseqüências serão cada vez mais agravadas até finalmente a constatação na prática de que a Teoria Populacional Malthusiana é especialmente válida e correta.

POPULAÇÃO E SOCIEDADE

A população e como ela pode estar espalhada em um determinado país. Tambem algumas teorias sobre o crescimento da população, e o que influi no crescimento natural de uma população.
População é o conjunto de pessoas que residem em determinado território, que pode ser uma cidade, um estado, um país ou mesmo o planeta como um todo. Ela pode ser classificada segundo sua religião, nacionalidade, local de moradia, atividade econômica e tem seu comportamento e suas condições de vida retratada através de indicadores sociais.
A população de um país pode conter várias nações, como é o caso de diversos países da África, onde os colonizadores europeus estabeleceram as atuais fronteiras em função dos próprios interesses econômicos e geopolíticos.
Em uma dada população, mesmo que as pessoas tenham ideais comuns e formem uma nação, há grandes contrastes no que se refere a participação dos habitantes na renda nacional, ou seja, existem as classes sociais, e daí surge a necessidade da ação do Estado para intermediar os conflitos de interesses. Nos países subdesenvolvidos, o Estado costuma estar a serviço dos interesses privados de uma minoria da população e os serviços públicos são relegados a último plano.
Quanto mais acentuadas as diferenças sociais, maior a concentração da renda, maiores as distâncias entre a média dos indicadores sociais de população e a realidade em que vive a maioria dos cuidados. Por exemplo, se a taxa de natalidade de um país for alta, é necessário considerar o que está acontecendo nas suas diferentes regiões ou classes sociais: os pobres costumam ter mais filhos que os ricos.
População absoluta número total de habitantes e relativa por quilômetros quadrado. Um país é considerado populoso quando o número absoluto de habitantes é alto.
Porém, quando a análise parte do pressuposto que interessa, ou seja, da qualidade de vida da população, esses conceitos devem ser relativizados. Os Países Baixos, apesar de apresentarem uma população relativa alta 429 hab./km, possuem uma estrutura econômica e serviços públicos que atendem as necessidades dos seus cidadãos e não podem, portanto, ser considerados um país superpovoados. Já o Brasil, com uma baixa população relativa, é “muito povoado”, devido a carência de serviços públicos. Nesse contexto, o que conta é a analise das condições socioeconômicas da população, e não a análise demográfica.
O crescimento populacional ou demográfico
Do inicio dos anos 70 até hoje, o crescimento da população mundial caiu de 2,1% para 1,6% ao ano, o numero de mulheres que utilizaram algum método anticoncepcional aumentou de 10% para 50% e o número médio de filhos por mulher em países subdesenvolvidos caiu de 6 para 4. Ainda assim, esse ritmo continua alto e, caso se mantenha, a população do planeta duplicará até 2050.
O crescimento demográfico está ligado a dois fatores: o crescimento natural ou vegetativo, e a taxa de migração, que é a diferença entrem a entrada e a saída de pessoas de um território.
O crescimento da população foi, explicado a partir de teorias. Vejamos as principais.

Teoria de Malthus

Em 1798, Malthus publicou uma teoria demográfica que apresenta basicamente dois postulados:
- A população, se não ocorrerem guerras, epidemias, desastres naturais, tenderia a duplicar a cada 25 anos. Ela cresceria, portanto, em progressão geométrica.
- O crescimento da produção de alimentos ocorreria apenas em progressão aritmética e possuiria em limite de produção, por depender de um fator fixo: o próprio limite territorial dos continentes.
Malthus concluiu que o ritmo de crescimento populacional seria mais acelerado que o ritmo de crescimento da produção alimentar. Previa ainda que um dia estariam esgotadas as possibilidades de aumento da área cultivada, pois todos os continentes estariam plenamente ocupados pela agropecuária e a população do planeta continuaria crescendo. A conseqüência seria a fome, a falta de alimentos para abastecer as necessidades de consumo do planeta.
Hoje, sabe-se que suas previsões não se concretizaram: a população do planeta não duplicou a cada 25 anos e a produção de alimentos cresceu no mesmo ritmo do desenvolvimento tecnológico. Os erros dessa previsão estão ligados principalmente as limitações da época para a coleta de dados, já que Malthus tirou suas conclusões a partir da observação do comportamento demográfico em uma região limitada. Não previu os efeitos decorrentes da urbanização na evolução demográfica e do progresso tecnológico aplicado a agricultura.
A fome que castiga mais da metade da população mundial é resultado da má distribuição, e não da carência na produção de alimentos. A fome existe porque as pessoas não possuem o dinheiro necessário para suprir suas necessidades básicas, fato facilmente do enorme volume de alimentos exportados, as prateleiras dos supermercados estão sempre lotadas e a panela de muitas pessoas n~\o tem nada para comer.

Teoria de neomalthusiana

Foi realizada uma conferencia de paz em 1945, em São Francisco, que deu origem a Organização das nações Unidas. Foram discutidas estratégias de desenvolvimento, visando evitar a eclosão se um novo conflito militar em escala mundial.
Mas havia um ponto de consenso entre os participantes: a paz depende da harmonia entre os povos e, portanto, da diminuição das desigualdades econômicas no planeta.
Passaram a propor amplas reformas nas relações econômicas, é óbvio, diminuíram as vantagens comerciais e, portanto, o fluxo de capitais e a evasão de divisas dos países subdesenvolvidos em direção ao caixa dos países desenvolvidos.
Foi criada a teoria demográfica neomalthusiana, ela é defendida pelos países desenvolvidos e pelas elites dos países subdesenvolvidos, para se esquivarem das questões econômicas. Segundo essa teoria, uma população jovem numerosa, necessita de grandes investimentos sociais em educação e saúde. Com isso, diminuem os investimentos produtivos nos setores agrícolas e industriais, o que impede o pleno desenvolvimento das atividades econômicas e, portanto, da melhoria das condições de vida da população.
Segundo os neomalthusianos, quanto maior o numero de habitantes de um país, menor a renda per capita e a disponibilidade de capital a ser distribuído pelos agentes econômicos.
Ela passa, então, a propor programas de controle de natalidade nos países subdesenvolvidos e a disseminação da utilização de métodos anticoncepcionais. É uma tentativa de encobertar os efeitos devastadores dos baixos salários e das péssimas condições de vida que vigoram nos países subdesenvolvidos a partir de uma argumentação demográfica.

Teoria reformista

Nessa teoria uma população jovem numerosa, em virtude de elevadas taxas de natalidade, não é causa, mas conseqüência do subdesenvolvimento. Em países desenvolvidos, onde o padrão de vida da população é elevado, o controle da natalidade ocorreu paralelamente a melhoria da qualidade de vida da população e espontaneamente, de uma geração para outra.
É necessário o enfrentamento, em primeiro lugar, das questões sociais e econômicas para que a dinâmica demográfica entre em equilíbrio.
Para os defensores dessa corrente, a tendência de controle espontâneo da natalidade é facilmente verificável ao se comparar a taxa de natalidade entre as famílias brasileiras de classe baixa e as de classe média. Á medida que as famílias obtém condições dignas de vida, tendem a diminuir o números de filhos para não comprometer o acesso de seus dependentes aos sistemas de educação e saúde.
Essa teoria é mais realista, por analisar os problemas econômicos, sociais e demográficos de forma objetiva, partindo de situações reais do dia-a-dia das pessoas.
O crescimento vegetativo ou natural
Atualmente, o que se verifica é uma queda global dos índices de natalidade e mortalidade, apesar de estar aumentando o numero de pessoas que vivem na miséria e passam fome. Essa queda está relacionada principalmente ao êxodo rural, e suas conseqüências no comportamento demográfico:
- Maior custo para criar os filhos: é muito mais caro e dificil criar filhos na cidade, pois é necessário adquirir maior volume de alimentos básicos, que não são cultivados pela família. As necessidades gerais de consumo com vestuário, lazer, medicamentos, transportes, energia, saneamento e comunicação aumentam substancialmente.
- Trabalho feminino extradomiciliar: no meio urbano, aumentam sensivelmente o percentual de mulheres que trabalham fora de casa e desenvolvem carreira profissional.
- Aborto: sabe-se, porém, que a urbanização elevou bastante a sua ocorrência, contribuindo para uma queda da natalidade.
- Acesso a tratamento médico, saneamento básico e programa de vacinação: esses fatores justificam um fenômeno: nas cidades, a expectativa de vida é maior que no campo. Mas isso não significa que a população esteja vivendo melhor, vive apenas mais.
Em alguns países desenvolvidos, as alterações comportamentais criadas pela urbanização e a melhoria do padrão de vida causaram uma queda tão acentuada dos índices de natalidade que, em alguns momentos, o índice de crescimento vegetativo chegou a ser negativo.
Nos países subdesenvolvidos, de forma geral, embora as taxas de natalidade e mortalidade venham declinando, a de crescimento vegetativo continua elevado de 1,7% ao ano.

O movimento populacional

O deslocamento de pessoas pelo planeta se deve principalmente por causas econômicas. Nas áreas de repulsão populacional, observa-se crescente desemprego, subemprego e baixos salários, enquanto nas áreas de atração populacional são oferecidas melhores perspectivas de emprego e salário.
Há tipos diferenciados de movimentos populacionais: espontâneos, quando o movimento, étnica ou política e, por fim, controlados, quando o estado controla numérica ou ideologicamente a entrada de imigrantes.
Qualquer deslocamento de pessoas traz conseqüências demográficas e culturais. Tem crescido, a cada ano, os conflitos entre povos que passam a compartilhar o mesmo espaço nacional em seu cotidiano. Em todo o planeta, crescem os movimentos neonazistas e separatistas, que estão assumindo dimensões criticas na Europa, tendo em conseqüência do grande fluxo de movimento populacional.

Transição demográfica

A transição demográfica é, no geral, um processo de diminuição de taxas de mortalidade e natalidade, sendo que a primeira diminui mais rápido que a segunda, causando um período de aumento do crescimento vegetativo e, portanto, de grande acréscimo populacional. E esse termo, que é utilizado em demografia, ajuda a entender ao mesmo tempo dois fenômenos:
Em primeiro lugar, explica porque o crescimento da população mundial se disparou nos últimos 200 anos (passando dos 1.000 milhões de habitantes no ano 1800 aos 6.500 milhões na atualidade).
Em segundo lugar, descreve o período de transformação de uma sociedade pré-industrial (caracterizada para ter umas taxas de natalidade e de mortalidade altas) a uma moderna ou pós-industrial (caracterizada por ter ambas as taxas baixas).
A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos geralmente para cada mil habitantes em uma dada região em um período de tempo.
A taxa de mortalidade pode ser tida como um forte indicador social, já que quanto piores as condições de vida, maior a taxa de mortalidade e menor a esperança de vida. No entanto, pode ser fortemente afetada pela longevidade da população, perdendo a sensibilidade para acompanhamento demográfico.
Outros indicadores de saúde, como a taxa de mortalidade infantil, são mais significativos, pois têm forte correlação com as condições de vida em geral.
Mortalidade infantil consiste no óbito de crianças durante o seu primeiro ano de vida e é a base para calcular a taxa de mortalidade infantil que consiste na mortalidade infantil observada durante um determinado período de tempo, normalmente um ano, referida ao número de nascidos vivos do mesmo período.
Para facilidade de comparação entre os diferentes países ou regiões do globo esta taxa é normalmente expressa em número de óbitos de crianças com menos de um ano, a cada mil nascidos vivos.
O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 mortes / mil nascimentos.

Taxa de natalidade

Em demografia, a taxa de natalidade de uma população se refere ao número de crianças nascidas por grupo de 100 pessoas por ano. Ela pode ser representada pela equação matemática onde n é o número de crianças nascidas no ano e p é a média populacional do período em questão. Desde a década de 1970 vem ocorrendo uma redução na taxa de natalidade no Brasil.

CRESCIMENTO VEGETATIVO

O crescimento vegetativo é a diferença entre os nascimentos e os óbitos, ou seja, entre a taxa de natalidade e a de mortalidade, geralmente ele é expresso em porcentagem. O Crescimento vegetativo pode ser:
* Positivo: Quando o número de nascimentos é maior que o de mortes.
* Negativo: Quando o número de nascimentos é menor que o de mortes.
* Nulo: Quando o número de nascimentos é igual ao de mortes.

A População e Suas Diversidades

Nesse capítulo será mostrado como está estruturada uma população, e como os indicadores econômicos podem ajudar aonde é preciso o governo dar mais atenção.
O estudo da estrutura da população pode ser dividida em três categorias:
Número, sexo e idade dos habitantes;
Distribuição da população economicamente ativa;
Distribuição da renda;

A pirâmide de idades

A pirâmide de idades é um gráfico quantitativo que expressa o numero de habitantes, sua distribuição por sexo e por idade.
Sua simples visualização nos permite tirar algumas conclusões referentes a taxa de natalidade e a expectativa ou esperança de vida da população. A base larga indica que nasce muita gente, ou seja, que a taxa de natalidade é alta. O topo estreito indica uma pequena participação percentual de idosos no conjunto total da população. Alta taxa de natalidade e baixa expectativa de vida são característica do subdesenvolvimento. Ao contrario, se a pirâmide apresentar certa proporcionalidade, da base ao topo, podemos concluir que a população recenseada apresenta baixa taxa de natalidade e alta expectativa de vida, que são característica de desenvolvimento econômico e social.
Quando observamos uma pirâmide de idades, é necessário ter em mente, ainda, a historia da população recenseada para que se conheça a causa de alguma aparente anomalia no gráfico.
Se um país ou região qualquer passar por um período em que ocorra grande entrada ou saída de pessoas, a forma da pirâmide também se altera.

A PEA e os setores de atividades econômicas

É considerada população economicamente ativa apenas a parcela dos trabalhadores que fazem parte da economia formal, ou seja, que possuem carteira de trabalho registrada ou exercem profissão liberal, participando do sistema de arrecadação de impostos. Quando os índices de desemprego se elevam, há uma tendência geral de rebaixamento dos salários, decorrentes da maior oferta de mão-de-obra disponível no mercado. Ao contrario, em situações de crescimento econômico associado a maior oferta de postos de trabalhos, há uma tendência geral de aumento salarial.
Os dados censitários de população não-ativa, além dos jovens e dos aposentados, costumam incluir também os trabalhadores subempregados. Assim, nos países desenvolvidos, onde os índices de subemprego são normalmente baixos, o percentual da PEA no conjunto total da população está muito próximo da realidade do mercado de trabalho e situa-se em índices que beiram os 50%.
Nos países subdesenvolvidos, onde os índices de subempregos costumam ser muito elevado, o percentual da PEA no conjunto total da população tende a ser mais baixo que a quantidade de pessoas que tem rendimentos.
A população que trabalha, dedica-se a um dos três setores de atividades que compõem a economia: primário, secundário e terciário. No setor primário, as mercadorias produzidas não sofrem alteração e são comercializadas sem passar por nenhum estagio de transformação. No setor secundário, as mercadorias são transformadas ou seja, industrializadas antes de ser comercializadas. Já no setor terciário, não se produzem mercadorias, mas prestam-se serviços em hospitais, escolas, repartições publicas, transportes, energia, comunicações e no comercio.
A divisão dos trabalhadores pelos setores de atividades econômicas nos permite chegar a importantes conclusões sobre a economia de países. Se um numero de pessoas que trabalham no setor primário for elevado, isso indica que a produtividade do setor é baixa. Por outro lado, se o numero for baixo, a produtividade no setor é alta. Podemos afirmar, portanto, que essa região apresenta um setor primário bastante capitalizado, com utilização intensa de adubos, fertilizantes, sistemas de irrigação e mecanização, o que, ao ampliar a produtividade, permite que se utilize um pequeno percentual da PEA no setor. Nos países desenvolvidos, de 3 a 10% da PEA trabalha em atividades primarias.
O índice do setor secundário não reflete a produtividade e o tipo de industria recenseada. Mas, se o setor primário é de alta produtividade, isso indica que a industria do país também predominantemente moderna, já que é ela quem fábrica os adubos, fertilizantes, sistemas de irrigação, máquinas e tratores.
Os países que apresentam elevado padrão de produção industrial ocupam cerca de 20% da PEA no setor secundário da economia.
É o setor terciário, que detém a maior parte da renda nacional e quem trabalha o maior numero de pessoas, já que por ele circulam todas as mercadorias produzidas nos setores primários e secundários da economia. É comum o número do setor estarem acima de 50% da PEA. Nos países subdesenvolvidos, há que se considerar os indicadores de população subempregada vivendo a margem da economia formal e carente de serviços básico, como educação e saúde.

Tradicionalmente, é comum classificarem as atividades secundarias e terciárias como essencialmente rurais. Porém, ante a modernização dos sistemas de transportes e de comunicações ampliaram-se as possibilidades de industrialização do campo e ruralização das atividades tipicamente urbanas, fazendo crescer substancialmente o numero de trabalhadores agrícolas que residem nas cidades.

Distribuição da renda

É na analise da distribuição da renda que se completa o estudo da estrutura da população e suas possibilidades de aplicação ao planejamento. Se o planejamento governamental não considerar a distribuição da nacional, sua política de educação, saúde, habitação, transporte, abastecimento, lazer, estará condenada ao fracasso. Da parte da iniciativa privada, o planejamento de atendimento a demanda de mercado tem, necessariamente, de levar em conta não apenas o numero, sexo e idade das pessoas, mas principalmente, de levar seu poder aquisitivo.
Há basicamente dois fatores que explicam a concentração de renda: o sistema tributário e a inflação, nunca repassada integralmente aos salários. Se os preços das mercadorias subirem e sem que esse índice seja repassado aos salários, aumentam a taxa de lucro do empresário e diminui o poder aquisitivo dos assalariados.
O sistema tributário corresponde a forma como são arrecadados os impostos em um país. Há dois tipos de impostos: o direto e o indireto. O imposto direto é aquele que recai diretamente sobre a renda ou sobre a propriedade dos cidadãos.
Já os impostos indiretos são inseridos no preço das mercadorias que a população consome em seu cotidiano. Podem ser considerados injustos quando assumem proporções elevadas, já que é cobrado sempre o mesmo valor do consumidor, não importando a sua faixa de renda.
É, portanto, um imposto que pesa mais no bolso de quem ganha menos, já que não há possibilidade de aplicar a progressividade na arrecadação e, portanto, de distribuir a renda.
A carga de impostos indireto é elevada, os serviço públicos são muito precários e, portanto, não criam oportunidades de a classe baixa ascender profissionalmente.
Atualmente, com a globalização da economia, a situação dos trabalhadores assalariados está se deteriorando. Intensifica-se a transferência de empresas, para países onde os salários são mais baixos e a legislação trabalhista mais flexível. Assim, os assalariados tem uma participação menor na renda nacional auferida e podem ser despedidos sem encargos para as empresas.
Acrescente-se a isso o desemprego estrutural, verificado em países cujas empresas investem em informação e robótica, que tende a fragilizar a ação dos sindicatos e diminuir a força dos empregados em processo de negócios salarial. Conclui-se que há a necessidade urgente de combate ao desemprego mundial.