domingo, 4 de abril de 2010

Movimentos Migratórios

Para complementar o estudo sobre população é necessário conhecer os movimentos migratórios, suas causas, suas características e conseqüências.
Inicialmente vamos lembrar de alguns conceitos.

Migração – é todo movimento de população que ocorre no espaço geográfico.
Migrante é aquele que realiza o movimento de migração.

Emigração – refere-se ao ato da saída de uma região.

Imigração – refere-se ao ato da entrada em uma região.

Os deslocamentos populacionais apresentam uma série de causas que poderíamos demonstrar dessa maneira:

*Causas de repulsão – explicam a saída da população – ocorrem nas áreas de emigração

*Causas de atração – explicam a entrada da população – ocorrem nas áreas de imigração

Essas causas podem ser:

*Naturais – como a desertificação de um local, secas prolongadas, inundações, terremotos... No Brasil podemos lembrar as secas prolongadas que ocorrem no Sertão.

*Políticas/religiosas –incluindo guerras civis, revoluções, perseguições religiosas, conflitos separatistas, discriminação com violência (racismo)...

*Econômicas – são as de maior importância no caso das migrações internas no Brasil. Inclui a decadência econômica de uma região e o crescimento de outra.

Podemos observar que a maior parte dos migrantes se desloca a procura de um emprego, de melhores níveis salariais e de um melhor padrão de vida.
Fogem também de áreas em conflito, de perseguições étnicas e religiosas.
Existe um organismo que se preocupa internacionalmente com a questão dos refugiados. Trata-se do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

Migrações Internacionais

Observamos que nos movimentos migratórios internacionais as principais áreas de atração são a América Anglo-saxônica e a Europa Ocidental. As principais áreas de saída são a América Latina, África e Sul e Sudeste da Ásia.
A globalização da economia mundial tem acentuado as diferenças regionais e sócio-econômicas. Esse fato, associado aos conflitos presentes em algumas partes do mundo, à péssima qualidade de vida e falta de perspectivas em alguns países tem acentuado o deslocamento de migrantes, especialmente do Terceiro para o Primeiro Mundo.
Os Estados Unidos recebem imigrantes provenientes da América Latina (região do Caribe, México, América do Sul...), do leste, sul e sudeste da Ásia e do norte da África. A Europa Ocidental tem recebido migrantes da África ao sul do Saara, do norte desse continente, da América Latina e do sul, sudeste e leste da Ásia, além de um crescimento nas migrações do leste europeu a partir das reformas que colocaram fim ao socialismo nos países da Europa Oriental.
A maior parte desses migrantes constitui mão-de-obra sem qualificação e que vai ocupar no mercado de trabalho das regiões receptoras postos até mesmo desprezados pela população local, ainda que esta, paradoxalmente, reclame da concorrência da mão-de-obra imigrante. Muitos desses migrantes assumem contratos temporários de trabalho, permanecendo nos países receptores por dois ou três anos. Sujeitam-se à jornadas de trabalho prolongadas, privações no dia-a-dia, com o objetivo de guardarem o máximo do que recebem para enviar esse dinheiro para os países de origem. A idéia é conseguir melhorar o próprio padrão de vida quando retornarem ao país do qual saíram.
Parte desses migrantes são ilegais. Não tem permissão para entrada e permanência. Sua situação irregular faz com que aceitem péssimas condições de trabalho e salários de exploração, além de não terem acesso à saúde pública e a reclamações trabalhistas porque, afinal, estão irregularmente estabelecidos. Isso não ocorre somente na Europa ou nos EUA. Aqui, no Brasil, temos como exemplo os imigrantes bolivianos, ilegais, explorados em longas jornadas de trabalho com baixos salários em oficinas de confecção na cidade de São Paulo.
Podemos também lembrar da discriminação, perseguição e até assassinatos de estrangeiros em países europeus, envolvendo grupos minoritários de postura muito radical e ideologias totalitárias, configurando a chamada Xenofobia.

Migrações no Brasil

Historicamente observamos muitos movimentos migratórios no Brasil,muitos deles vinculados a ciclos econômicos. Podemos citar:

*Séculos XVI e XVII – deslocamento de pessoas do litoral para o interior do Nordeste acompanhando a expansão da pecuária (através do Vale do São Francisco);
*Século XVIII – deslocamento de paulistas e nordestinos para Minas Gerais,
Goiás e Mato Grosso atraídos pela descoberta de ouro e pedras preciosas;
*1870-1910 – deslocamento de nordestinos para a Amazônia (especialmente
para o Acre, durante o ciclo da borracha;
*final do século XIX-início do século XX – nordestinos para São Paulo, atraídos pela cafeicultura;
*década de 1940 – nordestinos para oeste paulista e norte do Paraná, atraídos pela expansão da cultura do algodão;
*década de 1950 – nordestinos para Goiás, atraídos pela oferta de empregos na construção civil durante a construção de Brasília;
*décadas de 1960/70 – nordestinos para a Amazônia, devido aos projetos de colonização agrícola e de mineração, além da abertura de rodovias como a Transamazônica.

Observamos que historicamente a principal região de emigração no Brasil tem sido o Nordeste. Isso não se deve exclusivamente às secas, mesmo porque devemos lembrar que não é só o sertanejo que deixa sua região. A falta de empregos, de infraestrutura, a concentração de terras e o baixo padrão de vida são os fatores principais para a saída dos nordestinos de sua região. A seca é um agravante para aqueles que moram nas áreas afetadas por esse fenômeno climático.

Além desses movimentos importantes ao longo da história do Brasil precisamos lembrar de alguns movimentos específicos e muito importantes para o seu vestibular:

*êxodo rural – envolve o deslocamento do campo (área de emigração) para a cidade (área de imigração). Ocorre desde a década de 1940, com maior intensidade nos anos 60 e 70. Posteriormente diminui de intensidade, mas ainda é um dos mais importantes movimentos no Brasil. A população sai do campo devido à falta de empregos, baixos níveis salariais, concentração de terras nas mãos de poucos proprietários, modernização agrícola, falta de infraestrutura na zona rural. Segue para as cidades atraídos pela maior oferta de empregos (economia mais dinâmica nas áreas urbanas), salários mais elevados, melhor infraestrutura. São atraídos pela idéia equivocada de maior facilidade para o enriquecimento, a eterna perseguição do eldorado nas metrópoles. Mas constituem uma mão-de-obra sem qualificação que vai enfrentar uma dura realidade nas cidades, como a feroz competição pelo mercado de trabalho. As expectativas são frustradas logo no início e boa parte desses migrantes vai engrossar as estatísticas dos excluídos sociais das favelas, cortiços e loteamentos irregulares.

*transumância – movimento temporário em que, terminada a causa que motivou a saída do migrante, ele retorna ao local de origem. Geralmente acompanha a alternância das estações climáticas sendo, assim, um movimento sazonal. Como exemplo podemos lembrar do sertanejo que, durante a época das secas, deixa o Sertão e se dirige para a Zona da Mata, voltando para sua pequena propriedade no Sertão quando volta a chover nessa área, retomando suas atividades de subsistência.

*migrações pendulares diárias – são comuns nas grandes regiões metropolitanas. Trata-se de um movimento de ida e volta durante um dia.
Envolve especialmente o deslocamento de casa para o trabalho e a volta para a casa. Milhões de brasileiros executam esse movimento diariamente.

*migrações inter-regionais – envolvem o deslocamento de uma região brasileira para outra. É tradicional o deslocamento de nordestinos para o Sudeste (atraídos pelo mercado de trabalho, pela industrialização e construção civil, além do melhor padrão de vida nas metrópoles do Sudeste). Precisamos também ressaltar o deslocamento de sulistas para o Centro-Oeste e Amazônia acompanhando a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras. Na década de 1990 esses movimentos inter-regionais diminuem de intensidade. A saturação das metrópoles do Sudeste tem provocado até um retorno dos nordestinos à sua região.

*migrações intra-regionais – são aqueles que ocorrem entre os estados de uma mesma região. Os movimentos de curta distância apresentaram uma intensificação nos anos 90. Destacam-se como centros de atração mais recentes os estados de Tocantins, Goiás, Amapá e Maranhão. Observamos também um menor crescimento populacional nas metrópoles de várias regiões metropolitanas e um maior crescimento nos municípios periféricos a essas capitais, até mesmo fora das regiões metropolitanas. Os municípios de porte
médio têm obtido um crescimento mais expressivo.

URBANIZAÇÃO

Compreende o aumento da população urbana e a própria expansão da mancha urbana. Esse processo tem ocorrido há algumas décadas no Brasil, sendo as suas causas o êxodo rural, o processo de industrialização do país (mudando o eixo econômico para as cidades) e o próprio crescimento vegetativo nas áreas urbanas, ainda que a taxa de natalidade seja menor na cidade em comparação ao campo.
A urbanização no Brasil tem se mostrado intensa, rápida e desordenada, trazendo uma série de conseqüências negativas, especialmente nas grandes regiões metropolitanas:

*saturação da infraestrutura urbana – faltam escolas, creches, postos de saúde, hospitais, saneamento básico, rede de água tratada, asfalto e iluminação públicas, além do transporte coletivo urbano. Observa-se que a infraestrutura, apesar de existente e complexa, não consegue atender uma população muito grande e crescente. A expansão dessa infraestrutura não acompanha o ritmo de crescimento populacional;

*crescimento de favelas, cortiços e loteamentos irregulares – a falta de habitações, a especulação imobiliária e o baixo nível de renda dos habitantes, empurra parte considerável dos moradores nas regiões metropolitanas para habitações precárias. As favelas são encontradas tanto em áreas centrais como periféricas nas grandes cidades, os cortiços em áreas centrais, em antigos casarões ou prédios semi-abandonados, e os loteamentos irregulares em áreas desvalorizadas, muitas vezes com riscos de enchentes ou de desmoronamentos de encostas. Localizam-se em áreas periféricas, por vezes em áreas de mananciais, ao redor de represas, contribuindo para graves problemas ambientais urbanos;

*aumento do desemprego e subemprego – ocorrem porque o próprio mercado de trabalho nessas áreas urbanas está saturado. O subemprego pertence à economia informal, atividades que não tem registro, funcionam fora do controle tributário do Estado (não pagam impostos) e não oferecem os direitos trabalhistas (um vendedor ambulante não tem a garantia de férias e descanso semanal remunerado, ou décimo terceiro salário, aposentadoria...);

*aumento dos índices de criminalidade urbana – evidentemente as causas desse problema são complexas e as formas de atuação para sua diminuição também. Os itens relacionados acima contribuem para a ocorrência desse problema (atenção: não estamos dizendo que o morador de favela está propenso à criminalidade – não generalize, não reforce estereótipos falsos – apenas devemos lembrar que a forma de ocupação do solo urbano em favelas, cortiços, favorece a instalação de grupos pertencentes ao crime organizado).
Muitos fatores que levam à criminalidade são sociais como o baixo nível de renda, um Estado pouco atuante na área de atendimento social, a falta de empregos, de lazer, de uma qualidade de vida minimamente decente.
*agravamento dos problemas ambientais urbanos – estamos incluindo nesse item o desmatamento excessivo, a erosão do solo urbano, o assoreamento dos rios, a contaminação desses rios e represas com esgotos ou lixo depositado em locais inadequados (a falta de tratamento do lixo produzido na área urbana já constitui um problema ambiental), a poluição atmosférica que vai provocar as chuvas ácidas, o fenômeno da ilha de calor, os problemas de saúde durante uma inversão térmica, e as poluições sonora, visual e eletromagnética.

Verifique a tabela com a taxa de urbanização
nas regiões brasileiras - %
(fonte: IBGE)

Regiões Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Regiões .......1980 1991 2000
Norte .......50,32 59,05 69,83
Nordeste .......50,46 60,65 69,04
Sudeste .......82,81 88,02 90,52
Sul .......62,41 74,12 80,94
Centro-Oeste....70,84 81,28 86,73
Brasil..........67,59 75,59 81,23

Imigração

Atualmente o número de imigrantes que entram no Brasil e fixam moradia aqui é reduzido, compensado e até ultrapassado pelo número de brasileiros que se deslocam para trabalhar e/ou morar em outros países. Mas o Brasil já foi um importante país imigratório, principalmente no período entre 1850 e 1934.
Nesse período podemos identificar uma série de acontecimentos que contribuem para essa entrada de imigrantes no Brasil:

-leis que restringiram e eliminaram a escravidão no Brasil:
*Eusébio de Queirós – 1850 – proibição ao tráfico de escravos *Ventre Livre – 1871 – liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da data de sua promulgação
*Sexagenários – 1885 – liberta os escravos com mais de 60 anos
*Áurea – 1888 – libertação dos escravos

-crescimento da cafeicultura, necessitando de mais mão-de-obra

-crises econômicas e políticas na Europa, estimulando a saída de sua população

A partir de 1934, com a Lei de quotas restringindo a entrada dos imigrantes, com a crise na cafeicultura e, mais tarde, a Segunda Guerra Mundial e a recuperação econômica na Europa, diminui a entrada de imigrantes no Brasil. Nas últimas décadas temos recebido principalmente sul- americanos, africanos e asiáticos. Observe os principais grupos de imigrantes que vieram para o Brasil:

*portugueses – em grande número se distribuíram por várias regiões do país, especialmente no Sul e Sudeste, em atividades urbanas (comércio e indústria). Vale lembrar também dos portugueses na Campanha Gaúcha desenvolvendo a pecuária extensiva nas estâncias;

*italianos – destacaram-se na Região Sul (Vale do Tubarão, no sul de SC, e Serras Gaúchas – Caxias do Sul, Garibaldi, Farroupilha, Flores da Cunha, Bento Gonçalves) com a produção de uva e vinho, e principalmente em São Paulo, como mão-de-obra assalariada na cultura de café no oeste paulista e na capital e região do ABC no setor industrial;

*espanhóis – entram no Brasil principalmente no século XX, concentrando-se nas Regiões Sudeste e Sul em atividades do comércio e indústria;

*alemães – entram em pequeno número no Espírito Santo e São Paulo e em maior número na Região Sul (Joinvile, Vale do Itajaí, Serras Gaúchas e proximidades de Porto Alegre). Desenvolvem atividades de policulturas e criação em pequenas e médias propriedades e pequenas produções industriais caseiras;

*japoneses – sua primeira entrada no Brasil ocorre em 1908 e concentram-
se principalmente no período entre 1920 e 1934. Dirigem-se para a Amazônia iniciando os cultivos de juta e pimenta-do-reino, para o oeste paulista (Marília, Bastos e Tupã) com atividades ligadas à granjas, algodão e sericicultura, para o Vale do Ribeira (chá e banana), para o Vale do Paraíba (arroz e hortifrutigranjeiros) e arredores da capital paulista (o chamado cinturão verde com a produção de hortifrutigranjeiros).

Além desse grupos podemos mencionar a entrada de imigrantes eslavos (principalmente no Paraná), sírios, libaneses, turcos, judeus, asiáticos do extremo oriente, e reduzidas presenças de franceses, holandeses e até norte-americanos.

6 comentários:

  1. muuuuuuuuito bom !

    diana raiol macapá

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  2. Parabéns, gostei do conteúdo, está simplificado por tópicos o que facilita o entendimento dos conceitos e movimentos, auxiliou muito na pesquisa de meu filho para a escola na disciplina de Geografia.

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  3. não gostei muito!!!! pois a tabela teria que ser mais detalhada.

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